Começando a ser Gay


Ainda muito novo escutei dos meus amigos de rua, dos colegas de escola e até mesmo de pessoas da minha família, piadas sobre meu jeito afeminado. Lembro que isto me deixava muito triste, ficava praticamente paralisado e pensativo toda vez que escutava ou reparava que era de mim um comentário ou outro. Não ficava triste pelo fato de eu ter este jeito mas pelo fato que, naquela época, eu não fazia a menor ideia do que era aquilo. Eu não pensava se eu era A ou B, C ou D, nem conhecia as opções existentes e o que elas realmente significavam.

Não me aconteceu um passe de mágica que ao acordar eu já sabia que era gay. Isso foi um processo que demorou muitos e muitos anos. E,  se isto já nasceu comigo, só fui saber depois que entendi o que era aquilo.

Não me dei conta desde sempre que sou gay. O meu primeiro passo não foi nem descobrir que sou gay e sim descobrir o que é gay, o que é sexo, desejo, sexualidade… Só após saber todas essas coisas comecei a sentir algo diferente do que parecia ser normal. Tudo o que fizeram comigo antes de descobrir estas coisas me mutilou imensamente. Foram olhares, porradas e tantas outras coisas mais… e sabe para que serviram? Para nada. Olha eu Gay aqui… Ou melhor, serviram apenas para piorar tudo o que estava por vir.

Minha ingenuidade era tamanha que não conseguia nem imaginar quais dos meus jeitos eram afeminados. Então como mudaria algo em mim que não agradava os outros se eu simplesmente desconhecia o que era? Sim, sofria uma pressão por mudanças e eu devia obedecer. Não é o que as crianças fazem? Atentamente fui reconhecendo quais dos comportamentos causavam desconforto nos outros e fui me policiando para não repetí-los. Simplesmente por medo, e não por saber o que estava fazendo. Apenas obedecia… e sofria, sofria por ser rejeitado, mal tratado, por não ser o filho querido, não ser o motivo de orgulho. Cheguei dezenas de vezes a apanhar em casa por isto. Vivia na tristeza e os poucos momentos de alegria eram abafados em nome de uma postura correta.

Daí a importância do ensinamento sobre sexualidade logo cedo. Diz logo pra esta criança que existem homens que gostam de homens, mulheres que gostam de mulheres ou homens que gostam de mulheres, e isso e aquilo. Os comentários, críticas, brincadeiras, porradas, repreensões, abandono, etc. chegam antes do ensino primário, por quê esperar para ensinar por uma coisa tão séria? Por que ensinar antes o que não deve ser, sem saber o que é…. Ensinar a fazer um gol sem mostrar uma bola.

Seria muito esclarecedor entender do que se tratava tudo aquilo que me acusavam. Mas com pouca idade?? SIM. Se as pessoas que repreendiam ou simplesmente criticavam o meu jeito afeminado faziam diretamente a mim e eu deveria compreender por que não entenderia os motivos?

Não quero dizer que a família precisa aceitar que o filho se torne o que ele É , na verdade estou dizendo, mas quem sou eu para você levar a sério? … Entendo que faz parte da criação dos país instruir e orientar seus filhos nos bons costumes que estes achem quais são. Mas papai e mamãe, se seu filho vai ser GAY, ele vai ser GAY. Assim como vi o esforço inútil dos meus país em tornar meu irmão uma pessoa melhor de caráter. Ele não é exemplo de nada!

Mas em algum momento da vida meu pai (leia-se o Mundo) deve ter comemorado a vitória sobre mim. Aqui estou eu sem o jeito afeminado. Mas infelizmente, aqui também estou eu Gay, do mesmo jeito que antes, porém, com muito “sofrimento” vivido e ainda guardado dentro de mim. Não estou mas falando daquele sofrimento que recebia nos comentários, olhares e até mesmo nos tapas. Externamente, eu mudei. E sofro por estas mudanças ATÉ HOJE. Percebo problemas ou falhas nos meus relacionamentos, em oportunidades passadas de empregos ou em momentos que deveria ter mais coragem. Posso falar mais um monte de coisa que esta mudança trouxe, mas por hoje chega. O que ela não mudou foi o fato que continuei Gay.

Então eu me pergunto: Não seria melhor ter sido orientado sobre meu jeito afeminado? Continuaria sendo gay, porém, sem tanto sofrimento, sem prejuízo a minha vida. Sofrendo apenas o problema que todo mundo sofre pelo simples fato de existir. Precisamos de mais? Entendo perfeitamente que a nossa sociedade não é tão receptível quanto parece ser e, às vezes, por defesa uma família tenta obrigar um filho a mudar o rumo da sua vida de forma agressiva e devastadora. Mas uma vez repito: Eduque, oriente, mas não maltrate, não iniba o sentimento do outro. Não comemore se conseguir fazer seu filho esconder que é gay, por que por dentro ele está sofrendo. E muito.

Sinto orgulho de tudo o que sou hoje, de onde cheguei, da forma como encaro o mundo. Aquele “preconceito” que me faziam quando criança, hoje, quando repetido, não mexe mais comigo. O que aconteceu lá atrás não posso mudar, o que acontece para frente aprendi a me virar. Poderia ter sido tudo melhor se as pessoas que me amavam soubessem tratar esta situação. Não foi assim que aconteceu, e espero que aconteça com menos crianças. Ser Gay não lhe faz inferior, mais burro ou com menos chances de se dar bem da vida. Tenha orgulho de você!

 

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Frio…


Mas está muito frio esse Rio de Janeiro! No meu contrato de morador da cidade não tinha este asterisco. Daí da pra imaginar minha onda de depressão nessas últimas semanas. Todo inverno fico um pouco triste, afastado das pessoas e tudo mais… então num “inverno rigoroso” deste, já sabe… Tudo é motivo para aquela queda de humor.

Preciso me acostumar com o frio, fazer os programas que todo mundo faz… Tomar vinho, se enrolar num cobertor e acordar ao meio dia de domingo, ver filmes antigos e repetidos… Mas nada disso me convence. Não gosto de vinho (talvez nunca me apresentaram um bom!), odeio ficar enrolando na cama (tenho muita energia de manhã) e filmes.. sim gosto bastante… mas nunca sobra tempo.

Sou daqueles que reclamam quando está frio e quando está calor, mas não posto no facebook imagens “divertidas” sobre isto. Guardo pra mim.

Tenho procurado alguns programas no Rio com foco no público gay para me distrair, conhecer novas pessoas e esquecer do frio… mas está difícil, é tudo sempre igual ou poucas opções. Imagino que se o Rio é assim, como serão as outras cidades que tem menos atrações do que aqui?

Procuro em blogs, sites, aplicativos sugestões de coisas interessantes e, principalmente, coisas que nunca fiz. Não acho nada. Começo achar que preciso conhecer gente nova e fazer tudo de novo!

Nunca curti muito boates e tem alguns meses (ou ano) que não vou em uma. Também não sou fã dos aplicativos de pegação… e, desde quando eles surgiram, o chat online ficou bem ruim, o que fez eu me afastar de lá. Os meus amigos gays que fiz virtualmente, e durante bastante tempo me acompanharam nas noites, estão seguindo seus caminhos, trabalhando fora da cidade, namorando e sumindo.

Preciso encontrar novos nomes para minha agenda e bons programas!!!

Tentando recomeçar…


Após os últimos meses de muita tristeza, consegui enfim melhorar muito a minha relação comigo mesmo. É inegável que trabalhar com o que não estamos mais felizes faz uma destruição imensa. Quando se está com o salário atrasado e todas as contas penduradas então, nem dá pra imaginar. Era exatamente assim que me sentia, destruído e sugado por um trabalho que não valia mais a pena. Trabalhava para pagar as contas, sem nenhum prazer.

Foi então que me planejei e decidi parar com tudo. Pedi demissão e fui atrás de um novo emprego.

Todas as pessoas com quem conversei repetiram o mantra que na crise é melhor eu ficar com o que tenho. Mas estava completamente infeliz. Não poderia continuar daquele jeito. Para não ser injusto com minha empresa atual ainda conversei um pouco sobre o que sentia, tentamos mudar, mas mesmo assim não adiantou. Cada dia que passava na empresa, aumentava minha tristeza. Mais uma vez, estava sozinho ignorando a opinião de todos a minha volta.

Eu não tinha nem currículo pronto ou amigos para me indicar numa nova empresa. Comecei do zero a procura e para minha surpresa ela apareceu logo no primeiro mês. Em uma rápida entrevista já sai contratado. Me desliguei da empresa antiga e naquela noite consegui dormir mais leve.

Claro, foi uma entrevista que fiquei muito nervoso. Aliás, apesar de tudo já comentado aqui sobre timidez, estava passando por um momento muito difícil na minha vida pessoal e financeira e já faziam mais de 5 anos que não me via sentado na frente de um possível novo chefe precisando me “vender” pra conseguir a vaga.

Apesar disto, meu pedido de demissão foi muito pior. Quando a gente cria um vínculo com as pessoas torna tudo mais difícil.

Na ponta do lápis, a nova oportunidade não é melhor que meu emprego antigo, mas em tempo de crise… mais vale um pássaro na mão do que dois voando, correto? Mas principalmente, desta vez, estou trabalhando EXATAMENTE com o que gosto, o que estudei para e o que me da prazer. Salário… hmm… o bom resultado faz aumentar no futuro…

Estou me adaptando a esta nova rotina, acordar mais cedo, trabalhar mais bem arrumado e estar num ambiente com muitas regras. Estou gostando muito…

Li uma vez um pensamento sobre trabalho e futuro e compartilho aqui: Não trabalhe apenas para pagar as contas. Imagine o que você quer para você nos próximos 10 anos e trabalhe por isso.

E você, consegue se ver daqui a 10 anos fazendo o que está fazendo? Quais seus planos?

 

 

Como estou me sentido hoje?


Hoje me sinto cansado de estar enfrentando o mesmo problema a tanto tempo. Percebo que fico mais tempo pensando em coisas negativas do que em qualquer outra coisa. Essa nuvem negra que trouxe para cima da minha cabeça está me matando, não permitindo que eu encontre soluções para resolver o meu problema ou sabedoria para continuar seguindo em frete.

Estou realmente cansado, sem esperança e quero muito uma mudança. Algo dentro de mim entende que é possível conviver com qualquer problema e não deixá-lo me paralisar. Que posso seguir todo o restante da minha vida sem que isso me atrapalhe. É o que tento fazer nos momentos em que minha mente consegue, por pouco tempo, afastar os pensamentos ruins. Nestes raros momentos procuro por mudança! Busco acalmar meu coração e trazer alternativas para me aliviar.

Em quase todos os momentos da minha vida fui muito regrado com a saúde, sempre pratiquei esportes, mantive uma dieta regular, bebi moderadamente. Mas a demora em resolver o problema que passo hoje desajustou minha rotina. Isto também me incomoda e muito. Fico praticamente o dia dentro de casa, invento desculpa para não fazer qualquer atividade, penso que estou cansando, sem dinheiro, triste, etc. mas se for pra beber eu saio de casa. Deixei a bebida me vencer. Bebo quase que diariamente. Nunca mais pratiquei um esporte. Isto realmente me incomoda.

Não tenho muitas pessoas com quem contar, as que estão disponíveis tendo a achar que elas não estão interessadas em mais problemas. Me vejo sozinho. Muito sozinho. Isso me afunda mais. Esta não é uma carta de suicídio, não tenho esses pensamentos. Me ocupo tentando resolver o problema, acho que até mesmo em suicídio não tenho espaço para pensar.

Quero muito recomeçar minha vida. Mas de qual ponto de partida? Não posso nascer de novo e se pudesse o que faria diferente para evitar chegar a onde eu cheguei? Honestamente, aonde eu cheguei? Reconheço que o que contribui para os problemas que todos passamos é a forma como lido com eles. Absorvo uma energia muito negativa e deixo ele tomar conta de mim, tenho problemas no relacionamento com outras pessoas, sou muito fechado com dificuldades de me abrir sentimentalmente o que atrapalha em muita coisa.

Me pergunto novamente. Se eu recomeçar de vida, por onde recomeçar? O que mudar primeiro? Adianta eu voltar para academia e ter uma boa forma novamente? E quando o próximo problema chegar, vou cair de novo e de novo? No momento não posso procurar ajuda de profissionais, a grana está curta.

Por mais que está bem fisicamente não irá resolver meu problema, não estar mal vai ajudar e o pior hoje é como estou me relacionando com a bebida. Preciso mudar isto imediatamente.

De volta aqui


Hoje faz 2 anos e 8 meses que estou morando sozinho… Quando sai da casa dos meus pais nunca tinha ligado um fogão na vida e continuo sem ter aprendido a fazer comida, mas estou vivo e com alguns quilos a mais! Nunca gostei de fazer comida, então aprendi o básico arroz com alguma coisa. Gosto muito da rotina de ser dono de casa: limpar, lavar banheiro, ir ao mercado. E agora cuidar de um cachorro.

Minha vida estava indo tudo muito bem com a rotina que montei com as tarefas domésticas e vez ou outra uma visita aos meus pais. Nos últimos meses tenho recebido mais os amigos em casa para tomar umas bebidas e jogar conversa fora. Nada muito badalado, bem comportado.

Até que a tal crise chegou e apertou bastante as coisas do meu trabalho, virando minha vida de cabeça para baixo. Não perdi o emprego, mas muitos colegas da empresa sim. O trabalho se tornou estressante, os atrasos de salário bagunçaram minhas planilhas de organização financeira. E pronto, acumulei algumas dívidas. Quanto mais o tempo passa a situação piora. Com menos funcionários, aumenta o volume de trabalho, e com menos dinheiro, aumenta o estresse e a vontade de pular fora. Estou fazendo uma pesquisa no mercado e está muito difícil de achar outro emprego que pague todas as contas que criei, já considero até procurar em outras cidades, principalmente em São Paulo.

O pior que enquanto não consigo resolver o meu problema de trabalho e financeiro abandonei muitas coisas jogando a desculpa que assim que acertar eu volto. Abandonei a academia e a prática dos esportes que fazia diariamente, aumentei o consumo de álcool para quase todos os dias da semana, voltei a fumar e a me alimentar mal. Posso dizer que me deixei cair em depressão.

Tenho tentado lutar para que o meu problema financeiro não destrua todo o restante da minha vida. É bem complicado dizer não para uma cerveja só para relaxar. É muito difícil voltar a rotina de antes.

Não quero terminar o post com uma mensagem negativa. Ganhei um cachorro que já está quase fazendo um ano aqui em casa. Dá trabalho, mas estou adorando nossa parceria. Fazemos tudo junto, vamos a praia, ao shopping e ele me ajuda a sair de casa e dar uma volta todos os dias. Nunca tive cachorro em minha vida, não imaginava que era algo tão bom!

Meu mundo ZZZ


Em tempos de selfies e big brother ser reservado é uma sentença de morte. No meu mundo BBB, ou melhor, ZZZ muitos amigos reclamam que sou uma pessoa distante, quase ausente. Reclamam que não ligo com tanta frequência ou que nunca aceito as marcações no Facebook e que enfrento problemas sozinho e em silêncio quando eles estão ali prontos para me ouvir. Reconheço, é verdade. Ainda bem que tenho bons amigos e não desistiram de mim!!!

Desde pequeno fui pouco estimulado a ter relacionamentos mais afetivos devido a estrutura da minha família.  Em boa parte da minha vida isso me gerou problemas pois (creio eu) contribuiu para desenvolver em mim uma timidez forte. Hoje tenho consciência que superei a timidez mas o meu perfil introvertido, observador, reservado jamais irá mudar. Na verdade, ser assim pra mim não é problema algum e, às vezes, agradeço saber ficar quieto quando vejo algumas pessoas sem noção falando sem  parar e qualquer besteira para manter a boca aberta (desabafo!!).

Ser gay, contrariando os estereótipos, também faz com que eu crie e me tranque num mundo só meu por defesa. Se descobrir, entender e aceitar ser gay não são tarefas fáceis.

Não acredito que ser introvertido é ser menos interessante, pelo contrário, o mistério tem o seu charme. E quando um introvertido, no caso eu, encontra alguém com conteúdo boas conversas saem daí. Não sou uma pessoa séria o tempo todo, quem ccnvive comigo certamente irá concordar que a maior parte do tempo estou brincando e rindo.

Ser introvertido não é ser timido e ser timido não é ser introvertido. Não por regra. Alguns amigos estarão lendo esse post por isso quero esclarecer minha visão.  Mas como disse, reconheço minhas limitações.

Fui auto educado em época que deveria ainda a conntar com familia a resolver meus próprios problemas, principalmente aqueles relacionados aos sentimentos. E até hoje mantenho essa atidude de tentar ser “auto suficiente” sempre, expondo pouco o que estou sentindo, pensando ou querendo. Mas nos últimos meses venho reparando que existem pessoas que gostam de mim e que querem o melhor sempre e que posso contar com elas e elas querem contar comigo.

Reconhecer já é um grande primeiro passo. Certamente não terei jamais uma vida aberta tipo BBB, mas sairei do ZZZ e procurarei uma letra mais próxima.

Namorados na boate


Um amigo veio me pedir conselho sobre aceitar ou não um convite do namorado para ir a uma boate gay. Ele estava com dúvidas se este ambiente era adequado para um casal, entre outras coisas…

E, às vezes, me sinto de outro mundo pois minha resposta, ao contrário do que a maioria pensa (imagino eu) foi “Sim! Acho qualquer ambiente adequado para um casal, se vocês gostarem do ambiente”.

Alguns acham que boate é local de pegação e seu parceiro pode cometer um deslize. Mas precisa estar numa boate para pular a cerca? Logo, se não há confiança no seu parceiro em um lugar, penso: coitado de você!! Deve viver sofrendo achando que está sendo traído por ai… pois quem não confia, não confia aqui ou ali.

Por isto, se eu confio no meu parceiro (e é por isso ele está comigo) não vejo problema algum ir a uma boate gay e aproveitar a música, a dança, enfim a noite e os amigos!

Eu, particularmente, durante minha adolescência não fui muito em boates. Como sempre ia um grupo de amigos, havia aquela pressão (e concorrência) para ver quem ficava com mais garotas e eu, muito tímido, já sabem… Depois de crescido, fui em algumas boates hetero e gls – minha primeira ida a uma boate gls eu contei aqui – e confesso que me sinto melhor (mais livre pra beber, dançar, etc) em boates GLS (além de gostar de receber umas cantadas rs!!).

Claro, existem fases de um relacionamento que boate deve passar longe da programação do casal. Não se salva casamento numa boate (rs!). E quando forem, o casal deve ter consciência que inevitavelmente alguém irá olhar ou fazer alguma brincadeira com seu parceiro, alguns tentarão ir até um pouco mais… mas quando um não quer, dois não beijam brigam.

Já fui diversas vezes namorando em boates e voltamos para casa sem nenhuma briga e com muitas risadas (acontece quando tento dançar).

E chegou 2015…


Tudo o que é bom dura pouco e foi assim com meu ano de 2014. Rapidinho passou!!! E o que pedi para 2015? Que seja igual ou ainda melhor que o ano anterior!!! E tenho fé que será…

Hoje faz 1 ano e 3 meses que sai da casa dos meus pais e decidi morar sozinho, mesmo sem nunca ter feito um arroz ou ligado uma máquina de lavar na vida. Talvez esta foi a escolha mais acertada que fiz nos últimos anos! Não somente a sensação de liberdade mas, realmente, me senti realizado ao batalhar para conseguir pagar todas as contas e ainda me dobrar para fazer o dinheiro render para gastar com alguma diversão nos finais de semana e decorar o apartamento (isto inclui geladeira, cama, fogão, tudo! rs). Sensação de vitória! Este foi meu primeiro ano completo em casa e estou muito feliz!

Para 2015 não fiz muitos planos, apenas continuar o que já estou fazendo com mais seriedade, sem deixar desanimar. Na verdade, estou pensando em adotar um cachorro, sinto falta de um companheiro rs… Mas talvez isto só aconteça daqui alguns meses. E me comprometi a ler mais livros, hábito que perdi logo que fui morar sozinho.

Não consegui cumprir a minha promessa de não beber cerveja e nas “férias” de fim de ano debaixo de um sol de 40 graus e diante de uma praia bem gostosa… rolou algumas cervejas. Ou melhor, várias. Mas vou tentar novamente. Desistir jamais.

Numa dessas idas à praia conheci um carinha bem legal. Ele é professor de uma matéria estranha (rs), loiro com olhos claros, cabelo curto, e um pouco peludo no peito. Nunca havia ficado com ninguém com tanto pelo (rs), mas gostei. Conversamos bastante. Conheci ele através de um amigo que estava comigo neste dia. Fomos no ponto GLS da praia da reserva. Eu passava por lá quase todos os dias, mas nunca tinha parado próximo. Com a agitação do final do ano ainda não nos encontramos de novo, mas espero que isso aconteça logo.

Feliz 2015!!!

Tudo acaba nele…


Logo no início do blog comentei sobre o meu segundo namorado e o descrevi sendo ele perfeito, inteligente e loiro. E para minha surpresa, agora, fortinho. rs Naquele post, comentei bem rápido mas a verdade, se eu pudesse, viveria falando dele…

Conheci o “número 2” também pela internet, como quase todos os homens gays com quem me relacionei. Isto só mudou recentemente quando comecei a sair mais para lugares e grupos de amigos gays… (feliz escolha!).

Nosso primeiro relacionamento foi muito curto, durou três meses e já faz bastante tempo. Porém, foi o bastante para ele marcar tanto a minha vida e surgir nos meus pensamentos até hoje. Acho que ele só precisou de um dia para me conquistar. Todo mundo tem um primeiro grande amor e o meu (na fase “tenho-certeza-do-que-quero”) certamente foi ele.

O amor que tenho por ele me ajudou muito a encarar algumas barreiras, principalmente a timidez, que ainda não estava controlada num nível equilibrado. Queria melhorar por mim e também por ele. Neste período entrei na psicóloga, entrei pra dança, teatro, academia e um monte mais de atividades…

Nossa relação era de parceria total, como eu sempre sonhei que seria quando me relacionasse de verdade com um homem. Gostávamos das mesmas coisas, ficávamos horas conversando, bebendo.. enfim… Fiquei apaixonado! Nós somos parecidos até no jeito de pensar e agir. Nunca damos o braço a torcer e nossos desentendimentos quando vinham não tinha fim e viravam brigas enormes, tudo pelo fato de nenhum saber pedir desculpas. E o acúmulo de problemas mal resolvidos fez com que terminássemos. Fiquei muito triste, foi o período que fiquei mais triste por terminar um relacionamento com alguém. Mas ninguém morre por isso, e melhorei…

Me relacionei com outras pessoas e ele também. Mas sempre quando um de nós está solteiro procura o outro e aposta que ele também estará e assim, voltamos algumas vezes e terminamos tantas outras.

Pois bem, ele me aparece agora final do ano me convidando para passar a noite do dia 31 com ele…

Fui bem sincero e disse que gostava muito dele e que sempre gostei dele, mesmo esses todos anos que ficamos longe mas aprendi a gostar sem a necessidade de estar junto. E o estar junto dele, em todas as outras vezes, só deu briga e mais brigas. E não queria mais um relacionamento assim. E foi ai que terminou mais uma temporada das nossas vidas.

O mundo é pequeno demais pra nós dois…


Alguns anos atrás conheci um rapaz pela internet e nos encontramos num bar aqui perto de casa. Já nos falávamos através do MSN algum tempinho e eu era louco para encontrá-lo pessoalmente mas minha agenda naquela época era muito apertada devido ao trabalho ser um pouco longe e esse encontro demorou para acontecer, mas aconteceu.

Foto do google para ilustrar (rs).

Foto do google para ilustrar (rs).

Foi um dos primeiros homens com que me encontrei pessoalmente, eu estava muito nervoso, além, é claro, tímido. Como já disse antes timidez era parte comum de mim. Cheguei um pouco mais cedo no local, como sempre faço – odeio atrasos e atrasados – e fiquei o aguardando por alguns minutos… Não demorou muito ele chegou. Um homem bemm alto de pele morena, cabelos curtos e lisos, rosto e nariz de árabe (rs). Resumindo, era bem bonito, como eu já esperava ser. As mãos eram enormes, imaginava que pegada elas poderiam dar…

Tivemos uma ótima conversa, falamos de tudo um pouco e comemos pizza 🙂 com refrigerante 😦 , porém uma boa conversa mais tarde fui descobrindo que não significa nada além em um encontro. Na verdade, sai de casa com vontade de sexo e achei que ele ao topar se encontrar também pensava a mesma coisa.

A conversa foi boa e tenho certeza que ele também achou. Mas talvez minha timidez e falta de experiência afundaram o meu objetivo para aquela noite. Ok, me gabando um pouco, não era tão bonito como sou hoje, a idade me deu um UP agradável (rs). Após aquela conversa ele me ignorou completamente no MSN, celular, etc. e eu simplesmente esqueci do gato pra sempre.

Fiquei muito triste com o “abandono” dele. Nós tínhamos uma boa “amizade virtual” e não esperava por isso. Fiquei até um pouco deprimido e me achando a pessoa mais feia do mundo. Mas não sou de correr atrás de ninguém e passou.

Uns 4 ou 5 anos se passaram desse encontro e eu mais velho e já abandonado mais vezes (rsrs) aprendi muitas coisas, experiências, controle da timidez, academia aqui, dieta ali… e estou melhor…

Algumas semanas atrás, aceitei o convite de um amigo gay para ir à festa de aniversário de uma pessoa que nem conhecia (coisa rara de eu aceitar), mas como o aniversariante era também gay e iriam outros amigos que eu nunca vi, topei em prol de umas bocas novas.

Quando chego lá, com minha “melhor camisa” (aquela roupa que vc se sente pronto para o combate), dou de cara com o árabe que aterrorizou minha cabeça. Agi naturalmente, de imediato decidi fingir que não o conhecia e fui analisar as pessoas e o ambiente. Apenas o cumprimentei como fiz com todos da mesa.

A noite vai passando e o álcool já deixou a galera animada e solta. A festa era particular, numa casa bem bonita e no meio do mato. Após tantas horas não me preocupei mais de encontrar alguém conhecido e fiquei tranquilo para aproveitar a noite. Fiquei com um rapaz que tinha me interessado logo na minha chegada e como era uma festa com poucas pessoas não dava pra escolher muito e nem pular de galho em galho, pois cada macaco aquela altura já tinha encontrado o seu.

Reparei que o árabe ficava me olhando e disfarçava quando eu retribuía o olhar. E foi assim durante muito tempo. Até que fiquei sozinho e ele veio até a mim, perguntando se já não nos conhecíamos. Respondi que sim, mas foi só uma pizza. E ele falou: uma pena que se fosse agora seria bem mais do que isto. Me fiz de bobo e perguntei por quê, esperando alguns elogios (adoro elogios e mãos bobas rs) e assim ele caiu e falou algumas besteiras. Disse que já estava acompanhado e que esta pizza poderia ficar pra um outro dia. Ele me deu o celular dele novamente e estou aqui pensando se devo ligar ou não. Ele continua gato, mas tenho outros por ai em mente rss…

Ah e o rapaz que fiquei… acordou na minha cama. Não sei como rsrss